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Mundo AEC - Blog Oficial sobre AEC da Autodesk Brasil

Como o Dynamo é Capaz de Otimizar Fluxos de Trabalho em Escritórios de Arquitetura

Juliana Conde
20/12/2019

O Que é o Dynamo?

O Dynamo é uma ferramenta de Programação Visual que oferece aos usuários a capacidade de criar scripts usando várias linguagens de programação textual. Por meio de uma interface visual amigável, é possível construir rotinas lógicas para automatizar fluxos de trabalho, encontrar soluções ideais e analisar as opções de projeto.

O Dynamo permite trabalhar dentro de um processo de Programação Visual, no qual conectamos elementos para definir os relacionamentos e as sequências de ações que compõem os algoritmos personalizados. Podemos usar os algoritmos para uma ampla variedade de aplicações — desde o processamento de dados até a geração de geometria.

Atualmente, existem 7 plataformas Autodesk Dynamo:

Dynamo Sandbox é um ambiente de código aberto para programação visual, com download gratuito. Não está integrado a nenhum outro produto, tem funcionalidade limitada e serve principalmente para fornecer feedback sobre os recursos mais atualizados do Dynamo e executá-los independente de outros aplicativos da Autodesk.

Dynamo Revit é uma plataforma de programação visual que permite personalizar o fluxo de trabalho das informações da construção no Revit. Apresenta rápida iteração de projeto e ampla interoperabilidade. Está disponível a partir do Revit 2017 e é instalada automaticamente como parte do Revit a partir da versão 2020.

Dynamo for Civil 3D é uma plataforma de programação visual criada para engenheiros e projetistas para processar tarefas simples, repetitivas ou complexas usando scripts, com a rapidez e a eficiência que projetos de infraestrutura necessitam. O download é disponível para o Civil 3D versão 2020 no Autodesk Desktop App. Confira mais sobre o Dynamo for Civil 3D clicando aqui.

Dynamo for Alias permite que os usuários aproveitem o poder do design computacional no espaço de trabalho do Alias, software de modelagem e projeto industrial da Autodesk. É possível aplicar scripts diretamente à geometria do Alias para gerar variações rápidas de conceito e economizar tempo ao automatizar a modelagem repetitiva.

Dynamo for FormIt combina o poder do projeto computacional com um ambiente de modelagem fácil de usar para uma nova geração de projetos conceituais. Com o Dynamo integrado ao FormIt, solução da Autodesk para criar rascunhos 3D nas fases iniciais do projeto, é possível criar geometrias complexas ou controladas por regras com o clique de um botão e visualizar as mudanças em tempo real.

Dynamo for Advance Steel adiciona o poder do design computacional do Dynamo para gerar rapidamente estruturas complexas usando vigas e placas nativas do Advance Steel para melhorar significativamente a produtividade da modelagem. O Dynamo for Advance Steel está disponível para download a partir da versão 2017 do Advance Steel no aplicativo Autodesk Desktop.

Dynamo Studio é uma plataforma de programação visual que funciona de forma totalmente independente de qualquer outro aplicativo. Ao contrário do Dynamo Sandbox, o Dynamo Studio possui importação e exportação de arquivos DWG e não requer que outros produtos da Autodesk acessem a geometria.  É possível baixar e fazer upload de pacotes e trabalhar mais rápido em um ambiente multithread.

Caso de Sucesso — Kröner & Zanutto Arquitetos Associados

O escritório Kröner & Zanutto Arquitetos Associados começou a implantação do BIM no final de 2016. Desde então, vem aprimorando seus fluxos de trabalho com as soluções Autodesk e viu no Dynamo uma forma de criar automações que executassem atividades repetitivas no Revit. Confira, a seguir, a entrevista feita com Anderson Zanutto, sócio corresponsável pela unidade de concepção e coordenação de processos BIM do escritório.

Clashes encontrados no Navisworks e visualizados no Revit, por meio de rotina do Dynamo.

Dificuldades antes do uso do Dynamo

O Revit é considerado por muitos projetistas como o software para projetos BIM mais completo e de fácil utilização e integração. Anderson Zanutto fala que não haviam grandes dificuldades antes do uso do Dynamo, mas como toda ferramenta tem suas particularidades e cada empresa tem suas necessidades, sentia falta de alguns recursos necessários para os projetos da Kröner & Zanutto. “Estudamos bastante o Revit e entendemos quais eram as possibilidades e como poderíamos adaptar o software ou, às vezes, nossos processos ao software.”, diz Anderson. “Quando começamos a estudar o Dynamo, vimos que havia muitas outras possibilidades, que o software podia ser muito mais completo no quesito de se adaptar às nossas necessidades, criando recursos que sentíamos falta em um primeiro momento, como, por exemplo, enumerar vagas de veículos de forma automatizada. O que antes achávamos que era uma deficiência até mesmo com relação ao AutoCAD, que tem o comando ‘Auto Number’, passou a ser muito mais completa: podemos escolher a sequência com nossos critérios e inserir a informação no parâmetro que desejamos na família da vaga. A gestão da informação no modelo pode ser muito mais fácil utilizando o Dynamo.”.

O interesse pelo Dynamo veio do desejo de automatizar atividades repetitivas, que tinham baixo valor agregado e tomavam muito tempo dos arquitetos. Como exemplo, Anderson Zanutto cita uma tipologia de projetos corporativos que o escritório realizou: “[…] temos de realizar documentação de diversos ambientes ampliados na escala 1:25 e isso chega a ser realizado para 60 ou mais ambientes. Cada ambiente possui uma folha com sua planta de piso, forro e elevações. Basicamente o trabalho era criar os recortes de plantas e posicionar elevações, levando cerca de 20 a 30 minutos por ambiente, sem contar o tempo de anotações e representação gráfica.”. Com o Dynamo, a Kröner & Zanutto conseguiu diminuir esse tempo de execução das folhas em 80%, por meio de uma rotina que realiza essa atividade automaticamente. “Se antes, para fazer as ampliações dos 60 ambientes levávamos 25 a 30 horas, hoje executamos em menos de 5 horas. É uma forma Lean de pensar: identificar atividades de fluxo com baixo valor agregado que podem ser automatizadas, gastando mais tempo produzindo informações realmente relevantes.”, diz Anderson.

Desafios na implementação do Dynamo

Claro que esse trabalho não acontece do dia para noite. Houve um trabalho de mapeamento de fluxos e processos para identificar o que poderia ser automatizado e como se encaixaria no dia a dia do escritório, além da realização de mini treinamentos para cada nova automação. Após ver os primeiros resultados das primeiras automações pelo Dynamo, Anderson Zanutto reuniu sua equipe para realizar um brainstorming sobre o que mais poderiam automatizar: “[…] um exercício de sonhar acordado inicialmente, sem se prender ao que achávamos possível. A partir desses anseios, selecionamos uma demanda que se dividiu em diversas partes.”, diz Anderson. “O objetivo é em projetos com nível de detalhe elevado e grande número de acabamentos de paredes, realizar a modelagem de acabamentos dos ambientes, para isso é necessário: criar materiais, criar os tipos de paredes/piso/forro, inserir os tipos de paredes/piso/forro nos ambientes.”.

A partir daí, outro desafio que surgiu foi obter um domínio de programação para se criar as rotinas no Dynamo e se beneficiar de todo seu potencial. “Neste momento sentimos que seria necessário um conhecimento maior de programação que não temos dentro do escritório e optamos por contratar uma consultoria externa para esse desenvolvimento. O Dynamo tem uma interface bastante intuitiva e conseguimos produzir grandes resultados com o que aprendemos, mas exige um conhecimento específico de programação para utilizar todo seu potencial, não por parte de quem utiliza as rotinas, mas para quem produz as programações. Isso nos faz refletir sobre quais conhecimentos o arquiteto do futuro (que já é presente) precisará ter. A programação com certeza será um diferencial.”, diz Anderson.

Resultados

Além da já citada redução de 80% do tempo na execução das documentações dos projetos, a Kröner & Zanutto teve resultados muito bons ao utilizar o Dynamo para a interoperabilidade entre Revit e Navisworks. “Temos projetos que têm prazos muito curtos, de grande escala e uma compatibilização interdisciplinar intensa, pois os projetos são produzidos simultaneamente através do BIM 360. Sentíamos falta de ter no modelo de projeto as informações de interferências que realizamos no Navisworks, pois diminui o tempo de ficar transitando entre softwares, relatórios ou BCF, queríamos ter uma visão macro para elaborar um plano de ataque.”. 

Clash detection no Navisworks.

“Tudo começa muito antes com atividades de clash avoidance, onde coordenamos níveis, critérios e hierarquias no desenvolvimento dos projetos, isso ajuda a diminuir bastante o número de interferências. Para retornar os clashes encontrados no Navisworks para o Revit utilizamos como referência diversos tutoriais disponíveis na internet, mas tínhamos alguns desafios: Como introduzir isso nos nossos processos e quais seriam os  benefícios? Como fazer com que a informação gerada entre as etapas tivessem rastreabilidade e não gerassem poluição de informação no modelo? Quais produtos poderiam agregar a partir dessa atividade?” Para isso, foi criado uma família específica para representar os clashes no modelo, e o escritório gera um relatório dos clashes no Navisworks e utilizam o Dynamo para posicionar as famílias nas coordenadas do modelo, carregando as informações contidas nos clashes como nome do teste, nome do clash, comentário e status.

“Ao serem inseridas no Revit, utilizamos filtros para identificar clashes ativos, utilizando a cor magenta. Só mantemos no modelo os clashes da etapa atual e da etapa anterior. Nos clashes da etapa anterior aplicamos um filtro verde, assim conseguimos identificar os clashes resolvidos. Quando vemos esferas verdes no modelo, são clashes resolvidos, esferas magenta são novos e quando sobrepostos, utilizamos transparência e ficam marrom, identificando os ativos. Rapidamente conseguimos gerar vistas 3D e plantas que nos mostram a situação macro e geramos relatórios sobre essas plantas e vistas 3D. Os demais projetistas conseguem visualizar as esferas em nosso modelo imediatamente, pois essa informação é sincronizada no BIM 360 e fica disponível para todos em seus modelos de projeto com o modelo de arquitetura vinculado.”

Anderson Zanutto pontua que o Dynamo está sendo introduzido aos poucos no dia a dia do escritório. “Passamos por um processo de implementação BIM bastante intenso onde conseguimos consolidar padrões e processos utilizando o Autodesk Revit. Ao consolidar a implementação, vimos que a ferramenta tem um grande potencial para automatizar tarefas que podem trazer melhorias em controle de qualidade e produtividade no escritório. Os desafios de desenvolvimento, implementação e capacitação são grandes, mas com certeza estamos dando passos bastante importantes.”.

Para Saber Mais Sobre o Dynamo

Para saber mais sobre o Dynamo, visite os seguintes sites:

Juliana Conde

Juliana Conde é estudante de Engenharia Civil na Universidade Presbiteriana Mackenzie, possui experiência na área de urbanismo, atuando na fase de pré-licitação de projetos de parceria público privada de iluminação pública, já tendo contato com softwares de geoprocessamento e agora integra a equipe técnica AEC da Autodesk Brasil. Mais sobre ela, acesse seu perfil do LinkedIn: www.linkedin.com/in/juliana-conde-perfil